Previsões e flashbacks da minha imaginação!!!!!

Minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem de grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite.(Clarice Lispector)

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“Eu nasci sob circunstâncias pouco usuais”.

curious-case-benjamin-buttonÉ assim que começa “O Estranho Caso de Benjamin Button”, adaptado a partir da história de F. Scott Fitzgerald, sobre um homem que nasce com oitenta anos e regride na sua idade: um homem, como qualquer um de nós, que é incapaz de parar o tempo. O filme conta a história de Benjamin e da sua “viagem” fora do comum, das pessoas e lugares que descobre ao longo do seu caminho, dos seus amores, das alegrias da vida e da morte.

Ao começar a assistir o filme no cinema logo me lembrei de um texto que adoro do eterno Charles Chaplin. A moral, tanto do texto quanto do filme é a mesma. Pode ser que Deus tenha criado tudo do avesso, propositalmente. Talvez o certo seja o contrário, o oposto, o inadequado e o surpreendente.

“A coisa mais injusta sobre a vida é a maneira como ela termina. Eu acho que o  verdadeiro ciclo da vida está todo de trás pra frente. Nós deveríamos morrer primeiro, nos livrar logo disso. Daí viver num asilo, até ser chutado pra fora de lá por estar muito novo. Ganhar um relógio de ouro e ir trabalhar. Então você trabalha 40 anos até ficar  novo o bastante pra poder aproveitar sua aposentadoria. Aí você curte tudo, bebe bastante álcool, faz festas e se prepara pra faculdade. Você vai pro colégio, tem várias namoradas, vira criança, não tem nenhuma responsabilidade, se torna um bebezinho de colo, volta pro útero da mãe, passa seus últimos nove meses de vida flutuando….E  termina tudo com um ótimo orgasmo!!! Não seria perfeito?” Charles Chaplin

cimg0926”As vezes nos esforçamos por muito tempo para ser alguém nesse mundão de meu deus, muitas vezes passamos desapercebidos nas vidas de pessoas. Pessoas essas que conversamos todos os dias, que rimos numa mesa de bar, que confessamos algum segredo e até mesmo uma pessoa que já dividimos a mesma cama. Esses acontecimentos são suficientes para alguém te conhecer intrscicamente? Tenho certeza que não. Vivemos num mundinho fútil e nos acostumamos com ele, muitos fingem fazer parte dele para chegar em algum lugar, outros se rendem ao estereótipo e realmente fazem parte dele. Abaixo, uma carta que recebi anos atrás de uma pessoa que me conhece, me aceita, me critica e me ama”

Oi! Acordei, levantei, olhei pela janela e me senti feliz! Feliz por novos ares, novas amizades, novas experiências e, principalmente, o resgate de uma antiga amizade. Enquanto conversávamos ontem, me esqueci do mundo, me desliguei da vida. Revivi cada detalhe das minhas histórias e me senti nas suas, como se enquanto você contava, eu estivesse lá, sentada num lugar estratégico, vendo tudo acontecer, os momentos, seus pensamentos, ansiosa para ver o que ia acontecer no final. Percebi o quanto essas coisas são importantes para mim, o quanto você é importante para mim. Enquanto você falava, fui vendo que essa é minha amiga, na verdade, fui relembrando de tudo o que você sempre foi, uma pessoa sonhadora, cheia de expectativas com a vida e com suas aflições bem escondidinhas. Fiquei feliz por estar passando esse tempo com você, por ouvir essas histórias cheias de nós, de vai e vem e de finais, nem sempre como você esperava, mas que, com certeza, marcaram a sua trajetória e compõem a sua história. Fiquei orgulhosa! Lembrei da gente criança, dos nossos pequenos sonhos que hoje já foram alcançados e de outros que, apesar das reviravoltas da vida, ainda são os nossos sonhos simples de criança e que buscamos alcançar. Jú, com tudo o que falamos por horas e horas, tenho uma coisa para te dizer: Eu te amo, irmã!!! Como em todo fim de carta, email, mensagem no msn, telefonema e sinal de fumaça, te digo isso denovo, com toda a minha sinceridade. Te amo por me sentir sua irmã, e me sinto assim por ver em você atitudes sinceras e inocentes, que me fazem admirar uma pessoa. Quero te dizer que você conseguiu!!! Com certeza, a cada fase da sua vida, você terá medos, angústias e dúvidas, mas amiga, o que você fez da sua vida, é motivo de orgulho para mim. Desde pequena te vi tendo sonhos maiores que seus pensamentos, que de tão grandes, transpareciam na sua alma, e assim, na sua personalidade. Talvez você tenha sido incompreendida em vários momentos por amigos e familiares, mas mesmo assim, você perseguiu seus sonhos, sem nunca demonstrar seus medos nem dúvidas, sentimentos seus, que eu só descobri que você era capaz de sentir alguns anos mais tarde, em conversas sobre a vida. Você foi caminhando, passo a passo, degrau por degrau, sempre seguindo o seu coração e desbravando o mundo. Tomou atitudes muito certas, outras nem tanto, mas foram atitudes que te serviram de aprendizado e te mostraram, cada vez com mais detalhe, o que você é e o que você quer para você. Depois de anos sem termos nossos papos filosóficos de domingo a noite, ontem pude matar a saudade, e já começar a sentir mais saudade de tudo o que estamos passando aqui. Amiga, enfim, tudo o que escrevi aqui foi para tentar expressar para você o quanto você é especial. Fico feliz em ver tantas certezas e definições nas suas palavras e, mais ainda, de saber de suas angústias e medos, pois foram esses sentimentos que te fizeram ir atrás dos seus sonhos, como se você tivesse obrigação de passar sobre eles, e te fizeram ser essa pessoa que você é hoje: uma mulher forte, uma amiga especial, uma criança sonhadora e uma irmã insubstituível!!! Te amo, irmã! Um beijo! Paula

Eternizando Mauro Castilho

Há 5 anos vovô nos deixou, ficamos sem sua presença, seu bom humor, seu carinho, sua careca, suas broncas, suas piadas e muitas coisas ficaram sem graça depois disso. Por trabalhar viajando, Sr. Mauro Castilho conheceu muita gente e fez muitas amizades, que graças a Deus irão eternizar a pessoa maravilhosa que era.
Posto aqui um texto do amigo conterrâneo Carlos José Reis de Almeida, o Cal. Em seu blog, que conta um pouquinho da história do vovô com o Beto Carrero. Foi o início de tudo, foi por essa história que o destino me trouxe para Santa Catarina……..

”João Batista Sérgio Murad nasceu em 1937 na cidade de São José do Rio Preto. Nas brincadeiras de criança sonhava ser o Zorro brasileiro e trabalhar num parque de diversões. Foi entregador de leite e vendedor de limão.

Mau aluno do Ateneu Riopretense, foi enviado pelo pai para o Colégio Interno de Monte Aprazível, onde estudou ao lado do famoso estilista Clodovil Hernandes e do salgadense Leumar Sirotto.

Tentou a carreira de cantor de música sertaneja, arriscou-se como radialista e vendedor de anúncios. Certo dia um circo se instalou nas proximidades de sua casa e ele fez amizade com um garoto da família circense chamado Dedé Santana. Muitos anos depois Dedé se tornaria um dos mais famosos humoristas da televisão brasileira.

Depois de se arriscar como empresário de shows de humor pelo interior mudou-se para São Paulo, conseguindo algum sucesso na comercialização de publicidades. Chegou a ser o maior vendedor de anúncios do Jornal Folha de São Paulo. Anos depois abriu uma agência de publicidade em Blumenau (SC), com o que alcançou sucesso financeiro e profissional.

Para participar de um pequeno elenco circense, João Batista Sérgio Murad criou um personagem chamado Beto Carrero.

Certa ocasião, quando já havia alcançado sucesso no mercado publicitário, Beto encontrou uma amiga rio-pretense e quiz obter notícias sobre os colegas de infância. Perguntou sobre a irmã dela, Zilma Fernandes:

– Está morando em Araçatuba, com cinco filhos, o marido tinha uma olaria que foi destruída num vendaval, tentou a sorte na política, mas não se elegeu. Estão passando por dificuldades.

– Peça a Zilma e o marido que me visitem em Piçarras, talvez eu tenha uma proposta de trabalho para eles – disse o amigo.

Nesse encontro em Piçarras (SC), num distante mês de janeiro de 1983, surgiu uma amizade que transformou a história do entretenimento no Brasil: o multiempreendedor Beto Carreiro e o salgadense Mauro Garcia de Castilho, filho do ex-prefeito Arcídio Castilho.

Mauro mudou-se de General Salgado para Araçatuba no final da década de 1970. No verão de 1983 aceitou a proposta de emprego feita por Beto Carrero, colocou toda a família num fusca e mudou-se para Santa Catarina. Em pouco tempo transformou-se no seu braço direito.

O jornalista Marcos Losekann, repórter da TV Globo que iniciou a carreira na RBS TV do Rio Grande do Sul, em seu livro “O Ronco da Pororoca – Histórias de um repórter na Amazônia” (1999, Editora Senac), narra que em 1984 encontrou uma equipe circense em Cruz Alta (RS). Durante a reportagem conheceu Mauro Castilho e através deste se tornou amigo de Beto Carrero. Losekann fala da amizade mantida com os dois, relatando um encontro ocorrido em Manaus pouco tempo antes de seu retorno a São Paulo para se tornar repórter especial do Jornal Nacional.

Além de administrar o Circo do Beto Carrero, Mauro participou ativamente do projeto de criação do Parque Beto Carrero World. Tudo começou num show no Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo. O treinamento era feito numa fazenda em Gaspar (SC). Os primeiros atores foram os peões da fazenda. Os ensaios noturnos eram feitos sob as luzes dos faróis de alguns carros.

O sucesso do show alavancou toda a aventura. Beto montou mais circos e os esparramou pelo Brasil. Um deles passou a ser administrado por Pecos Castilho, filho de Mauro. Nos shows que faziam pelo Brasil afora a equipe viajava com cerca de 120 pessoas, 400 toneladas de equipamentos, 20 cavalos, carruagens, jaulas com animais e outras atrações.

Um dia Beto decidiu montar tudo num lugar só e escolheu a pequena cidade de Penha (SC). Comprou 176 pequenas áreas de terras contíguas e deu início à construção do maior parque temático da América Latina, o Beto Carrero World.

Depois de 20 anos de cumplicidade e companheirismo, a relação entre os dois terminou apenas quando, em dezembro de 2003, enquanto acompanhava o circo de Pecos na Bahia, Mauro Castilho nos deixou de repente. Tinha vivido 68 anos com a mesma alegria, o mesmo jeito simplório de interiorano contador de causos e estórias, emérito piadista e gozador, profundamente apegado à família.

Em fevereiro de 2008 partiu Beto Carrero, que contava 70 anos de idade. Os dois deixaram, no entanto, um indiscutível legado na história do entretenimento brasileiro.

Beto Carrero era o showman, o astro, o mágico da trupe. Mauro Castilho era o carregador do piano, o arranjador, o faz-tudo para permitir a continuação do show.

Na revista que fez editar para comemorar os 15 anos de existência do parque, Beto Carrero prestou uma homenagem ao amigo salgadense, nela registrando a seguinte mensagem:

“Mauro Castilho. Amigos para sempre.
Nossa vida parece diminuída sem a sua generosidade, a sua alegria, a sua graça, a sua grandeza, a sua devoção a tudo que fazia.
Sim, hoje nos vemos mais pobres sem seu jeito cativante, seus gestos expressivos, seu olhar brilhante daquela felicidade de fazer as pessoas mais felizes.
Mauro, meu velho, de minha parte posso afirmar que conviver com você me enriqueceu profundamente. E agora estou aqui, falando de nossa saudade a você, à Zilma, à Pity, à Lígia, à Lara, à Luciana e ao querido Pecos, esta família que é seu maravilhoso patrimônio.

A eles você deu o exemplo de viver e um legado de amor que seus netos aproveitarão para aprender a serem” grandes seres humanos, como você”.

 

 

 

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Esquadros….

Eu ando pelo mundo
Prestando atenção em cores
Que eu não sei o nome
Cores de Almodóvar
Cores de Frida Kahlo
Cores!

Passeio pelo escuro
Eu presto muita atenção
No que meu irmão ouve
E como uma segunda pele
Um calo, uma casca
Uma cápsula protetora
Ai, Eu quero chegar antes
Prá sinalizar
O estar de cada coisa
Filtrar seus graus…

Eu ando pelo mundo
Divertindo gente
Chorando ao telefone
E vendo doer a fome
Nos meninos que têm fome…

Pela janela do quarto
Pela janela do carro
Pela tela, pela janela
Quem é ela? Quem é ela?
Eu vejo tudo enquadrado
Remoto controle…

Eu ando pelo mundo
E os automóveis correm
Para quê?
As crianças correm
Para onde?
Transito entre dois lados
De um lado
Eu gosto de opostos
Exponho o meu modo
Me mostro
Eu canto para quem?

Pela janela do quarto
Pela janela do carro
Pela tela, pela janela
Quem é ela? Quem é ela?
Eu vejo tudo enquadrado
Remoto controle…

Eu ando pelo mundo
E meus amigos, cadê?
Minha alegria, meu cansaço
Meu amor cadê você?
Eu acordei
Não tem ninguém ao lado…

Pela janela do quarto
Pela janela do carro
Pela tela, pela janela
Quem é ela? Quem é ela?
Eu vejo tudo enquadrado
Remoto controle…

Eu ando pelo mundo
E meus amigos, cadê?
Minha alegria, meu cansaço
Meu amor cadê você?
Eu acordei
Não tem ninguém ao lado…

Pela janela do quarto
Pela janela do carro
Pela tela, pela janela
Quem é ela? Quem é ela?
Eu vejo tudo enquadrado
Remoto controle…

A noite!!!

Anda vai, já é hora de dormir,

Não espera a Preta mandar,

Ela está longe, perambulando a cidade,

Fazendo a sublime história continuar!

No sangue vaidoso um toque de manha,

Envaidecido pelo mesmo sangue que corre nas veias da Preta.

Se não escrever, a memória esquece,

Que muitas vezes a raiz se enfraquece

E é necessário somente uma coisa

Para não apodecê-lo: o amor.

Anda vai, aqueça as maças do rosto no travesseiro,

Mesmo que os olhos não permitam o amanhecer,

A Preta também já está em seu leito e no seio,

O mesmo anseio para ver mais um sol nascer.

E é no escuro da noite que,

o peito aperta,

a insônia desperta,

a alma levita,

que os sentimentos se estranham,

que a juventude se vai,

que a consciência retorna,

que os ouvido se aguçam,

que os versos se afloram

e que a saudade dói!!!!!

Por Juliana Castilho

 

Para Mamãe (a Preta)

….

Eu gosto desse cheiro de gasolina. Eu falo assim, mas eu gosto. Esta sensação de torpor que faz a gente viajar um pouco. Devanear. Não que a gente tome ou chape. Ninguém chapa. Só uns doidinhos. Eu falo mesmo é da viagem, desse devaneio que nos toma. Memória olfativa. Remete lembranças distorcidas. É um cheiro muito forte, o da gasolina. Então não é preciso ser muito sensível. Basta desviar os olhos pro canto esquerdo. E a loucura da cidade parace parar, por um instante, quebrando a rotina.

Por Renata Klocker